Transportadores
querem o menor custo/km
Vamos logo ao que interessa: o preço. Um
pneu 295 nacional, novo, custa em geral R$ 1.300/R$ 1.400;
um chinês (ou da Índia ou de alguns outros
países da Ásia) fica em torno de R$ 950;
um usado europeu, que
recebeu recapagem no Brasil, pode sair por R$ 700 a R$
800.
E será que tem diferença de qualidade?
Luiz Marson, gerente de frota da Transportadora Falcão,
já testou um Fate argentino, da mesma faixa de
preço dos chineses, e não viu diferença
dos brasileiros novos. “Ambos rodam 300 mil quilômetros
– primeira vida mais duas recapagens –, só
que o custo por quilômetro do Fate é mais
baixo”, constata. Agora, ele está experimentando
os Doble Star chineses, importados pela Randon, mas diz
que é cedo para dar um veredito. Quanto aos europeus
usados e recapados no Brasil, Marson afirma que, apesar
de custarem menos, “não dão o mesmo
resultado de custo por quilômetro de um novo”.
Não é só o gerente da Falcão
que reduz a discussão da qualidade do pneu a uma
questão de custo por quilômetro; do jeito
que anda a economia, qualquer pessoa de bom-senso tem
que fazer isso. Lá na Coopercarga, de Concórdia
(SC), por exemplo, eles chegaram à conclusão
que o melhor é importar pneus asiáticos
(chineses e coreanos). Compram contêineres fechados
para fazer a reposição de pneus de seus
1.400 caminhões. “O câmbio está
favorável para nós, em função
do baixo valor do dólar", lembra o diretor
comercial da Coopecarga, Osni Roman, justificando a escolha.
E acrescenta: "A péssima condição
das nossas estradas também aumenta o custo com
pneus e por isso temos que procurar sempre as alternativas
mais baratas". Mesmo assim, não deixam de
comprar pneus nacionais sempre de olho no melhor custo-benefício.
Só não trabalham com pneus importados ressolados:
"Custam menos, mas podem ter fadiga e a gente não
sabe".
Quem sabe o que compra, e compra com gosto, nessa
área dos importados ressolados, é a TNP
Transportadores do Norte do Paraná. Seu presidente,
David Silva Amorim, só tem elogios: "Procuramos
usar somente os Michelin e Bridgestone importados ressolados
e temos conseguido uma quilometragem de 140 mil km em
cada vida", informa. O custo é de 55% dos
novos nacionais, ele diz. Mas são só para
a carreta. "No cavalo, usamos pneus novos ou pneus
nacionais ressolados." A TNP testou ainda os chineses
Doble Star, da Randon. Também deu certo: na primeira
vida, estão rendendo 130 mil km, e custam 70% de
um nacional.
 |
Lunardi Venturelli:
muito satisfeito com os chineses |
Curiosa é a situação relatada
por Lunardi Venturelli, da Agrorelli Logística
e Transporte, de Sertanópolis (PR), que leva cargas
de trigo em grão. "Nossos pneus se gastam
muito rápido, porque as viagens são curtas
e repetidas. No caminhão que faz, 30 vezes por
dia, um percurso de 1,5 km, com quatro curvas à
direita, os pneus não rodam nem 10 mil km na primeira
vida." Por isso, ele compra pneus "pelo preço".
A escolha dele são os chineses.
Leia mais...
Entrada dos chineses
dobra a cada ano
Recapadores ganham
com importação de usados
O campo de batalha
está agora no Congresso
A China com a faca
nos dentes