Caminhões
Vendas diminuem no ano dos eletrônicos

Situação da agricultura afeta o mercado, segundo executivo da Ford; a montadora apresentou nove modelos com novos motores em fevereiro.


Dilene Antonucci



Dois dos novos Cargo: com eles, a Ford completa sua linha de caminhões eletrônicos


O quadro já vinha se desenhando no final de 2005 e se confirma agora: as vendas de caminhões caíram no primeiro ano em que todos os caminhões produzidos no Brasil têm que ser equipados com motores eletrônicos que façam emissões dentro dos níveis Euro III.

De janeiro a março de 2006, segundo dados do Renavan publicados pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – o licenciamento de caminhões novos caiu 11%. Entre os pesados ocorreu a maior queda: 23,6%.

O aumento de preços dos caminhões, de 10 a 15%, decorrente da nova tecnologia, não explica esta queda, na opinião de Cláudio Terciano, gerente comercial da Ford Caminhões. Para ele, a crise na agricultura afetou o mercado. “Só está renovando frota quem tem que cumprir contratos”, afirma. “Se o problema fosse preço, o mercado de usados estaria aquecido, mas isso não está acontecendo.”

Para Terciano, no entanto, a tendência é de uma melhora a partir de maio, com a queda das taxas de juros e da TJLP, além de investimentos do governo por estarmos num ano eleitoral. Além disso, alguns segmentos continuam ativos, como o canavieiro e o da construção civil. “Acho que vamos ter falta de caminhões 6x4 este ano, a configuração mais usada por eles”. Mas, no geral, a previsão é que as vendas fiquem um pouco abaixo das registradas em 2005.

ELETRÔNICOS – Em fevereiro a Ford fez o lançamento de sua linha de caminhões com motores eletrônicos, com nove novos modelos. Além do ganho de potência e torque proporcionados pela eletrônica, os novos caminhões tiveram a capacidade de carga ampliada, mantendo custos competitivos de aquisição e manutenção, segundo a Ford. Um caminhão Ford eletrônico está custando em média 10% mais que seus similares mecânicos.

Os lançamentos incluem o médio estradeiro C-1722e, com PBT técnico de 16.800 kg e capacidade máxima de tração de 32.000 kg, os trucados C-2422e e C-2428e MaxTruck, com PBT técnico de 24.000 kg, e o cavalo-mecânico C-4432e MaxTon, com capacidade máxima de tração ampliada para 43.600 kg.

Há também cinco novos modelos traçados (com tração 6x4) para o serviço pesado. O C-2622e, o C-2628e e o C-2632e têm PBT técnico de 26.200 kg, com capacidade máxima de tração de 32.000 kg, 42.000 kg e 45.000 kg, respectivamente. Já os modelos C-2932e e C-5032e têm capacidade máxima de tração técnica de 50.000 kg, para aplicações como basculante, canavieiro e madeireiro.

Exibidos pela primeira vez na Fenatran, os novos caminhões completam a linha Cargo eletrônica, que já contava com quatro modelos: C-815e, C-1317e, C1517e e C-1717e, equipados com motores Cummins Interact 4, de quatro cilindros.

Os novos Cargo eletrônicos são equipados com três versões de motores eletrônicos Cummins, de seis cilindros em linha: o Interact 6, de 220 cv e 275 cv, e o ISC, de 319 cv. Toda a linha conta com freios dotados de válvula sensível à carga no eixo traseiro, que evitam o travamento das rodas traseiras nas condições de carga parcial ou vazio e melhoram o controle da direção durante a freada. O sistema tem filtro secador de ar, que evita o acúmulo de umidade e aumenta a vida útil de seus componentes.

 
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