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Quando falamos em caminhão antigo, vêm
à lembrança modelos arredondados, com
os pára-lamas saltados, e superpesados famosos,
além dos veículos médios que sempre
fizeram pequenos “carretos” nas cidades.
Alguns destes últimos ainda estão muito
bem conservados e outros foram restaurados por colecionadores,
podendo ser vistos em exposições e encontros
de “antigomobilistas”. Chevrolet, Ford,
GMC, Fargo, Thames, Renault, Dodge, Studebaker, Bedford
são marcas cujos antigos modelos transportaram
muita carga e hoje se aposentam sem as merecidas honras.
Um impecável
Chevrolet D60 verde é o modelo que ilustra esta
pequena homenagem a esses veículos. Pertence
ao londrinense Otto Steinle, um descendente de alemães
que faz fretes há 43 anos. Foi comprado zero-quilômetro
em 1976, e tem 425 mil km rodados. O próprio
Otto, que conhece mecânica, cuida da manutenção.
Segundo ele, o motor – um Perkins diesel modelo
3567, de seis cilindros – já foi retificado
duas vezes e agora está com 25.000 km. “Mas
o câmbio de cinco marchas e o diferencial com
caixa reduzida nunca precisaram ‘ser abertos’,
o molejo traseiro não precisou de nenhum conserto
e o escapamento é o original de fábrica”,
conta, orgulhoso.
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O reluzente Chevrolet D60, ano 1976, da página
ao lado, recebe rigorosos cuidados do dono, Otto
Steinle: não se vêem vestígios
de sujeira no motor e as molas dianteiras são
“encapadas” para proteger a lubrificação
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O Chevrolet D60 é
a versão a diesel do modelo C60, caminhão
médio movido a gasolina que foi planejado e ferramentado
totalmente no Brasil em 1964, utilizando o chassi e
mecânica do seu antecessor, o famoso Chevrolet
Brasil. O projeto incluía as camionetes C14 e
C15 e a perua C1416, batizada de Veraneio. A primeira
reestilização do D60 ocorreu em 1967,
quando foram modificados o capô, o painel de instrumentos,
a grade – que ficou mais “harmoniosa”,
conforme a propaganda da época reproduzida ao
lado – e dois sealed-beans substituíram
os quatro faróis. A escolha do motor dependia
do uso: ou o torque elevado do motor diesel ou o desempenho
e a elasticidade dos 151 cv do motor à gasolina.
No começo dos
anos 70, com o grande aumento de preço do petróleo
e o subsídio ao diesel, deixou-se de fabricar
motores a gasolina para veículos de carga e muitos,
inclusive, tiveram os motores adaptados. Em 1980, chegaram
a ser fabricados os D60A, movidos a álcool, mas
não se mostraram econômicos e sucumbiram.
O custo do transporte
aumentou e ajudou a definir o papel das categorias de
caminhões: pesados para a estrada; médios
e pequenos para uso urbano. O Chevrolet D60, impulsionado
pelo motor Perkins 3567 de seis cilindros (durante algum
tempo, também foi utilizado o motor dois-tempos
Detroit Diesel, de quatro cilindros), tornou-se então
uma solução econômica para trabalhos
mais leves e viagens curtas, bem como para usos específicos,
como carroceria basculante, compactadores de lixo, entrega
de botijões de gás e furgão de
entregas e mudanças. A GM também produzia
o D70, com maior capacidade de carga, rodas raiadas
e motor mais potente, mas o preferido dos transportadores
era o D60 no “toco”, porque o terceiro eixo
o deixava “meio lento”, segundo alguns motoristas.
Em 1979, o Chevrolet
D 60 recebeu uma “maquiagem” que incluía
nova grade, painel mais moderno, uma “bolha”
no teto para melhorar a ventilação e pequenos
detalhes relativos à segurança: barra
de direção não-penetrante, volante
acolchoado em espuma, retrovisores maiores. Sua carreira
se encerrou em 1985, quando sua cabine foi totalmente
renovada e recebeu outras denominações:
D11000 e D13000. Mas a fábrica parou de fabricar
caminhões em 1996, preferindo importar os americanos
GMC.
GM tem
81 anos no Brasil
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| A General Motors do Brasil foi inaugurada em São
Paulo em 26 de janeiro de 1925, quando começou
a montar veículos da marca Chevrolet com
peças importadas dos Estados Unidos. Com
as restrições à importação
criadas em 1953, começou um processo de nacionalização
e, no ano seguinte, as cabines já eram totalmente
fabricadas no país. Em 1956, passaram a ser
fabricados motores e, em 1959, foi lançado
o primeiro caminhão Chevrolet brasileiro,
com índice de nacionalização
de mais de 50%: o Chevrolet Brasil, antecessor dos
C60 e D60. |
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A propaganda
de dezembro de 1966, na revista Seleções
do Reader’s Digest, anunciava mudanças
para os caminhões C60 e D60 ano/modelo
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