Depreciação

 

Fácil de calcular, difícil de ganhar

Quanto você perde de valor (a chamada depreciação) do seu equipamento – caminhão e implemento – todos os anos? Quanto dinheiro você deve guardar para, quando chegar a hora, poder trocar o seu por um equipamento atualizado? Existe um modo fácil de fazer essas contas. Bem mais difícil, do jeito que anda a concorrência, é ganhar o suficiente para fazer a economia necessária...
 

Pesquisando no seu computador, no site da NTC&Logística, Neuto Gonçalves dos Reis, assessor técnico da entidade e professor de Gerenciamento Logístico de Custo Rodoviário na FAAP, em São Paulo, encontra o caso de um transportador que aceitou fazer o trajeto de 3.000 km entre São Paulo e Belém por um frete de R$ 4.300. “É muito pouco”, comenta. “Ele receberá apenas R$ 1,43 por km, mas o custo de uma viagem dessas é de R$ 2,57 por km.”

É pouco mas é comum ver negócios assim, afirma Neuto. O que define o valor do frete é o mercado. E o mercado derruba o frete para níveis que podem ficar abaixo dos custos do transporte, como ocorre hoje no Brasil. No caso acima, os custos fixos calculados pela NTC são de R$ 1,39 por km, e os custos variáveis R$ 1,28.

Pode ser que o mercado não ligue para os custos do transportador, mas não se pode admitir que ele próprio não esteja atento a esse fator. “O bom negociador tem que saber calcular o custo. Em geral, o autônomo percebe o custo variável, que são as coisas que doem no bolso – diesel, pneus, pedágio. Mas ele muitas vezes não leva em conta o custo fixo, que inclui o seguro, salário, depreciação do veículo e remuneração de capital”, observa Neuto.

PERDA DE VALOR - De acordo com o manual da NTC, os custos variáveis são: combustível (que representa 65%); pneus, câmaras, recapagens; peças e material de oficina; óleo do cárter; óleo do câmbio e do diferencial; lavagem e engraxamento. Já os custos fixos são: a depreciação do veículo e do implemento; remuneração do capital; licenciamento e IPVA; seguro obrigatório (DPVAT); seguro de “casco”; seguro contra terceiros; salários e encargos de motorista e ajudante; salários e encargos de oficina.

Vamos nos deter num item dos custos fixos, a depreciação, que é a perda de valor do veículo.

O cálculo tradicional da NTC é de que o caminhão perde 20% do valor ao ano. É assim que as empresas declaram no imposto de renda: a cada ano, diminuem 20% o valor declarado. No mercado, não é tão automático. Existem marcas cujos usados têm maior valor de revenda e outras menos.

O ideal seria trocar o caminhão a cada sete anos, acredita Neuto. É nessa hora que o custo com a manutenção começa a aumentar e o veículo vai se tornando menos eficiente. Em sete anos, o transportador deverá ter atingido a TIR (Taxa Interna de Retorno), que é a velocidade de recuperação do capital. Por exemplo, quem comprar um caminhão novo por R$ 268 mil, deve aplicar no banco 11,5% desse valor a cada ano, ao longo dos sete anos seguintes (84 meses). Isso equivale a poupar R$ 2.552,00 todo mês. Findo o prazo, somando o dinheiro guardado com os 20% de valor residual do veículo, deve dar para comprar um caminhão novo. Se o usado tiver um bom valor de revenda, que chegue, por exemplo, a 48% do novo, vai sobrar um ótimo troco do dinheiro guardado para o negócio. Ou então o dono do caminhão pode poupar menos, se fizer uma boa manutenção no caminhão e tiver confiança na sua valorização. No caso dos 48%, a prestação mensal dos 84 meses poderia ser de apenas R$ 1.659,00.

O presidente da Associação Brasileira de Logística, Adalberto Panzan Júnior, adota um prazo mais longo para calcular a depreciação de um caminhão: 10 anos. “Aprendi com o meu pai”, diz ele. Seu pai era proprietário da Transportadora Americana.

No entanto, na conta dele, um caminhão com 10 anos também vale 20% de um novo. Por exemplo: se custou R$ 200 mil, ainda vale R$ 40 mil. Os outros 80% do valor pago, R$ 160 mil, devem ser divididos em 120 parcelas – e o dinheiro deve ser poupado todo mês para a compra de um novo. Em outras palavras, nessa hipótese, o proprietário do caminhão deve guardar, durante 10 anos, R$ 1.333,00 por mês, e não mexer nesse dinheiro, para poder substituir o caminhão.

Panzan diz que, em 10 anos, a depreciação de um caminhão será de pelo menos 75%, qualquer que seja o modelo. Ele frisa que suas contas sobre quanto poupar dizem respeito apenas à depreciação do bem e não à remuneração do capital. “Se, ao invés de comprar o caminhão, ele colocasse R$ 200 mil numa aplicação financeira por 10 anos, renderia de 6% (poupança) a 12% ao ano pelo menos”, observa Panzan. Para ganhar tudo isso com um caminhão é mais difícil ainda.
 
 

 
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