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Os 50 anos do F600
O caminhão que proporcionava “saúde, tempo e dinheiro” começou a ser produzido em agosto de 1957 pela Ford no Brasil

Em agosto de 1957, saía da linha de produção, em São Paulo, o primeiro veículo fabricado pela Ford no Brasil. Era um caminhão F600, para 6,5 toneladas de carga. As linhas arredondadas da cabine eram semelhantes às do F6, seu antecessor americano – que foi objeto de reportagem na nossa edição nº 126.
O F600 era à gasolina e tinha 167 cv de potência. Seu primeiro motor, um V8 de 4,5 litros, ganhou o apelido de motor-roquete (de rocket, “foguete” em inglês) e só foi nacionalizado em 1958, mas não perdeu seu ronco grave que até hoje emociona os fãs de veículos antigos.
Como tinha boa potência e elevado torque em baixas rotações, o motor era o maior argumento de vendas. Num anúncio de 1960, aparecia um motorista dizendo: “Eu tinha um caminhão que, carregado, se arrastava como uma lesma pela estrada. Diziam que era ‘econômico’. Mas sua lentidão acabava comigo; no volante, eu chegava até a ficar com sono. Estava sempre atrasado e vivia perdendo bons fretes. Agora comprei um Ford – e hoje sou outro: ganhei saúde, ganho tempo... e ganho mais dinheiro...”
O F600 gastava muita gasolina, mas de início essa desvantagem foi compensada pelo preço mais baixo que o dos caminhões a diesel. Só em 1961 surgiu, como opção, o F600 a diesel. Com a elevação dos preços do petróleo, as fábricas fizeram cada vez menos caminhões à gasolina até a total dieselização.
O F600 foi produzido até 1980. A aparência da cabine mudou muito, mas a concepção mecânica continuou a mesma, comprovando sua durabilidade e resistência. Em 1962, foi relançado como Super Ford, nos modelos F600 e F350, junto com a camionete F100. Em 1965 e 1969 sofreu pequenas modificações na grade e na moldura dos faróis. Em 1975, a cabine ganhou um design mais moderno e passou a oferecer mais itens de conforto. Acabou substituído pelos modelos F11000, F13000 e F21000.
O modelo que ilustra esta reportagem é um F600 de 1961, quase igual ao de 1957, exceto por pequenos detalhes, como o desenho do quebra-vento, que passou de triangular a retangular em 1959, mexendo um pouco no desenho do pára-brisa. O caminhão pertence ao comerciante José Cantoni, de Londrina. É uma verdadeira preciosidade, só rodou 112 mil km e está todo original, dos pneus “de fábrica” à lataria, que nunca precisou de lanternagem, sem contar o poderoso motor V8, que foi preservado ( ouça
o ronco do motor ).
Hoje, Ford tem linha completa de caminhões
A Ford inaugurou sua fábrica no Brasil em 1953, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, onde passou a montar caminhões importados e, quatro anos depois, lançou seus primeiros veículos nacionais. Depois do F600, em agosto de 1957, com 40% de seus componentes nacionalizados, em outubro foi lançada a picape F100. Em 1959, surgiu o médio F350 e, em 1961, o motor diesel Perkins foi oferecido como uma opção aos motores V8.
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O F600 de 1962 tinha a cabine mais "quadrada" |
Em 1965 já haviam sido produzidos 100.000 caminhões e a Ford anunciou o início da produção de automóveis. O lançamento do Galaxie ocorreu em 1967. No mesmo ano, a Ford adquiriu o controle acionário da Willys Overland do Brasil.
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Como nesta F350, em 1965 foram feitas pequenas mudanças na grade |
Nos anos 70, foi apresentado o F4000, que substituiu o F350. Quase todos os caminhões e caminhonetes passaram a ter motores diesel. Em 1977, a linha F foi ampliada com os modelos F700, F7000, F8000 e FT8500, que podiam ser equipados com motores Perkins, MWM e Detroit.
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O modelo de 1969 tinha faróis quadrados |
Outra inovação da marca no País foi o lançamento da linha Ford Cargo, de cabine avançada, apresentada em oito modelos, com capacidade de carga de 11 a 15 t, em 1985. Em 1994, a Ford comemorou a produção de um milhão de caminhões no Brasil e, em 2001, inaugurou uma linha de montagem totalmente nova em São Bernardo do Campo. Atualmente, dispõe de uma completa linha de caminhões e oferece os dois tipos de cabine (convencional da linha F e avançada da linha Cargo) em 16 modelos, com capacidade de carga de 3,5 a 50 toneladas e várias configurações de chassis e eixos.
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