Acidentes

 

O que os EUA fazem para melhorar as estatísticas

Enquanto as fábricas pedem até seis meses para entregar um caminhão novo, não existe escassez de seminovos, que estão subindo de preço devido ao aumento da procura

Dilene Antonucci
Teste do bafômetro: nos EUA, a tolerância com álcool e drogas é zero

Nos Estados Unidos, 97% das empresas de transporte de carga têm menos de 20 caminhões. Um acidente de trânsito com vítima fatal causado por um caminhão pode custar 3 milhões de dólares para a empresa. Para a maioria das transportadoras americanas, um prejuízo desses significa a falência.

Não é à toa, portanto, que os transportadores dos EUA investem pesado em segurança e tomam medidas que podem servir de modelo para o Brasil. No último Simpósio Volvo de Segurança no Trânsito, realizado em São Paulo no início de julho, no qual se discutiu “Segurança como Investimento”, representantes da ATA – American Trucking Association – apresentaram os resultados de um bem-sucedido plano de redução de acidentes de trânsito nos EUA. Nos últimos 20 anos, a taxa de fatalidade nas estradas baixou 50%, dos quais 21% na última década.

Como no Brasil, nos Estados Unidos também faltam motoristas treinados. Atualmente, o déficit está na casa dos 20 mil motoristas. Até 2014, estima-se que esse número cresça para 110 mil. Por isso o treinamento tem recebido atenção especial, tanto da ATA e das transportadoras quanto do governo americano. As estatísticas deles não deixam dúvida: 90% dos acidentes são causados por falha humana, como desatenção e erros na direção.

Lá os motoristas podem fazer cursos em entidades públicas ou privadas e completar o treinamento na própria empresa. Em dois meses são 50 horas de aulas teóricas e 100 horas de aulas práticas. Mas o que define a aprovação dos candidatos – só 8% dos avaliados são contratados – é o comportamento defensivo e a completa abstinência de álcool e drogas, vícios para os quais a tolerância é zero.

CASAIS AO VOLANTE Ray Kuntz, presidente da ATA, também administra uma frota de 700 caminhões pesados. Para driblar as dificuldades em encontrar bons motoristas, ele tem preferido contratar casais com mais de 50 anos, que chegam a faturar 120 mil dólares por ano. Enquanto um motorista solitário roda em média 19 mil km/mês, uma dupla pode rodar quase 45 mil km/mês – um ganho de produtividade indiscutível.

Para controlar o tempo de trabalho ao volante, uma medida adotada pelos americanos é o diário de bordo, no qual o motorista anota informações sobre horário de saída, chegada, refeições e rotas. Se, numa fiscalização, os dados não estiverem atualizados, a multa é de mil dólares para o motorista e 11 mil dólares para a empresa. Em breve, o diário será substituído por um sistema informatizado.

Também estão sendo adotados equipamentos chamados Tecno-logias Ativas de Segurança. Pelo menos 18 mil acidentes por ano nos Estados Unidos são saídas da pista, tanto em retas como em curvas. Para evitar isso, um sensor acoplado a uma câmera é instalado no veículo e acompanha sua posição monitorando movimentos sinuosos ou desgarramento. Um alerta sonoro avisa o motorista antes que ele saia da estrada e provoque um acidente.

Outro dispositivo em uso em muitos caminhões americanos é o sistema de controle de estabilidade. Ele intervém automaticamente, reduzindo a aceleração, se houver risco de capotagem nas curvas por excesso de velocidade. Segundo dados da ATA, este é um tipo de situação comum para caminhões-tanques. As capotagens custam muito e causam mortes com mais facilidade. Um equipamento desses custa em média US$ 5 mil.

O Controle Ativo de Proximidade, que detecta objetos estacionados ou veículos lentos à frente, e o Sensor de Aproximação Lateral, são outros dispositivos que têm contribuído para a redução dos acidentes.

Teste do sistema de controle de estabilidade: para evitar os capotamentos, que causam grandes prejuízos em vidas

 
 

 
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