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O último “fenemê” foi o Iveco 190H
A Fábrica Nacional de Motores
(FNM) acabou oficialmente em 1968, mas seus caminhões tiveram uma sobrevida de glória até 1985
Jackson Liesch
O pesado Iveco 190H, que deixou de ser fabricado em 1985, representou o final de uma linha de caminhões produzidos nas instalações da antiga Fábrica Nacional de Motores em Xerém, no Estado do Rio de Janeiro, que se tornaram um mito da indústria nacional.
A FNM teve um papel marcante na história do transporte de cargas no Brasil. Abriu em 1949, fabricando caminhões Isotta Fraschini, e passou a usar a tecnologia Alfa-Romeo em 1951. Os fenemês trabalharam duro e mudaram de cara e de nome, para Alfa-Romeo, em 1968; viraram Fiat, em 1976; e, finalmente, se tornaram Iveco, em 1982. Mas tiveram algumas características em comum: eram fabricados na FNM, portanto eram vistos como “fenemês”; e todos esbanjaram o elegante design italiano.
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Os primeiros FNM/Isotta Fraschini,
de 1949. A Isotta fechou em 1950 |
FNM/Alfa-Romeo 1951. O D9500
foi apelidado de “Barriga d’água" |
O brutíssimo FNM/Alfa D11000,
produzido de 1961 a 1971 |
Os Alfa/Fiat 180, 190 e 210 tinham
a grade “cuore”, da Alfa |
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Concebida na Itália, a cabine “quadrada” característica do 190H foi implantada nos mesmos chassis utilizados pelos Fiat 190, que ainda mantinham o desenho de 1972, com sua grade dianteira na forma de “cuore”, (coração) tradicional da Alfa-Romeo. Inicialmente importada, tinha mais espaço interno, com duas camas largas e um sistema de molejo que a isolava do chassi, diminuindo as vibrações. Além disso, as portas já não abriam “ao contrário”. O acesso ao motor ainda ficava dentro da cabine, mas o isolamento térmico e acústico era adequado.
O conjunto mecânico não apresentava novidades em relação ao modelo Fiat anterior. O motor de 270 cv e torque de 110 mkgf em baixa rotação, somado à caixa de câmbio Fuller que suportava até 125 mkgf, esbanjava força bruta e lhe dava capacidade de tração de 50 toneladas, maior que a capacidade legal de 45 t. Em 1984, surgiu a opção de turboalimentação, elevando a potência para 306 cv no modelo 190HT. Mas toda essa força tinha preço: como qualquer fenemê, o bruto era lento.
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| A propaganda publicada em setembro de 1982
exalta a força do motor turbinado de 306 cv do
Fiat 190HT, que já era produzido pela Iveco. |
O Fiat/Iveco que ilustra esta reportagem é um 190HT ano 1984. Pertence a Luís Cláudio Ferreira, de Ibiporã (PR) desde 1998. Segundo seu proprietário, é um excelente caminhão, mas que exige experiência para guiar por causa de sua caixa de câmbio de engates secos. “Ele vai aonde os outros vão, só demora um pouquinho mais”, afirma. As peças de reposição são caras, admite Luís Cláudio, “mas é um caminhão que não quebra, se for bem cuidado”. E ainda tem a vantagem de custar um terço do preço de um modelo similar. |
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