Caminhões

 

Venda de usados cresce junto com os novos

Enquanto as fábricas pedem até seis meses para entregar um caminhão novo, não existe escassez de seminovos, que estão subindo de preço devido ao aumento da procura

Nelson Bortolin

O aquecimento nas vendas de caminhões novos, além de zerar os estoques das fábricas e concessionárias, impulsionou o comércio de usados. Segundo a Anfavea, a venda de caminhões novos cresceu 25% no primeiro semestre deste ano, em comparação a igual período de 2006 – mesma faixa do crescimento das vendas de usados.  

O gerente de seminovos do Programa Viking da Volvo do Brasil, Celso Castro, afirma que a procura por usados se intensificou em abril, dois meses depois do início do boom da venda de novos. “Quando aumenta a venda de novos, sempre demora um pouco para isso se refletir nos usados”, informa. 

Para ele, a fila de espera por caminhões novos, que, em alguns casos, chega a seis meses, obrigou os transportadores a buscar os seminovos. No primeiro semestre, o programa Viking registrou vendas de 392 caminhões.

Celso Castro, da Volvo: com maior procura, o preço sobe

O responsável pelo Programa Superzerado da Scania, Humberto Marin, diz que o mercado do transporte está com grande demanda e que isso se refletiu no aumento das vendas de caminhões novos e usados. “Nosso plano de trabalho prevê um aumento de 20% na venda de usados este ano. E é mais ou menos o que está se realizando”, afirma. A expectativa é vender um total de 900 veículos seminovos em 2006.

Marin e Castro dizem que, com o crescimento da procura, os preços também aumentaram, mas não sabem dizer quanto. “Com o aumento da procura, a diferença de preço do usado para o novo pode cair sensivelmente”, afirma Castro. Numa situação normal de mercado, diz ele, a regra mundial de depreciação de usados é de 20% no primeiro ano e 10% ao ano do segundo ao quinto ou sexto ano.

Sobre os modelos mais vendidos, Castro diz que são os mesmos dos novos – no caso da Volvo, os da linha FH. “Vendemos o que recebemos”, afirma Marin. Segundo ele, as configurações 6x2, com motores 420, são as mais encontradas no Superzerado.

Tanto na Volvo quanto na Scania, a maioria dos veículos seminovos entra nos programas como parte de pagamento de caminhões novos.

Para alavancar a venda de usados, a Scania realizada feirões pelo País. Já a Volvo está lançando os Viking Centers na rede de concessionárias. Castro e Marin dizem que uma das principais preocupações na hora de receber um caminhão seminovo é quanto à sua origem. Este cuidado não dispensa, segundo eles, uma revisão completa antes de repassar o veículo adiante e, se necessário, a troca dos pneus.

Humberto Marin, da Scania: estratégia de feirões

Na Scania, os caminhões mais novos e em melhores condições são vendidos com seis meses de garantia. E os veículos com até sete anos de fabricação são garantidos por três meses. Nos caminhões Viking, a garantia é de seis meses para veículos com até 80 mil km rodados.

JURO BAIXO – Os revendedores de usados também vêm verificando um aumento na procura. Dois deles, entrevistados pela reportagem, acreditam que isso se deva à queda dos juros. “Este ano, tivemos um crescimento de 20% nas vendas nos seminovos”, afirma Valdinei Bataline, dono da Fioricar Caminhões, de Marialva (PR). “A taxa de juros do Banco Central vem caindo faz tempo, mas só agora essa redução chegou às financeiras”, alega. Ele chama de seminovo o veículo fabricado a partir de 2002. 

Bataline considera que os preços dos usados estão muito defasados em relação aos novos, mas acredita numa redução dessa diferença até o final do ano, devido ao aumento da procura.

Anésio Bovolon Jr., proprietário da Brasil Caminhões, de São Bernardo do Campo (SP), diz que o crescimento das vendas começou em junho. “Houve um aumento na faixa de 30%.” Ele também atribui o fenômeno à redução dos juros. 

Normalmente, esses revendedo-res dão garantia da documentação, mas não da mecânica. “Se o caminhão é mais novo e está em melhor estado, a gente garante três meses ou 10 mil quilômetros. Nos mais antigos não damos garantia, mas deixamos a pessoa à vontade para trazer seu mecânico e avaliar”, conta Bovolon Jr.

Na Fioricar, o comprador não recebe garantia da parte mecânica. “A gente faz a revisão na hora da compra. A pessoa pode acompanhar. Mas se você fala que vai dar garantia, muita gente força para antecipar o surgimento de um problema que só apareceria mais tarde”, justifica Bataline. 

COMPRADORES – Djonas Cidclei Fernandes, dono da Pedrão Transportes de Cargas, de Itajaí (SC), comprou recentemente dois Volvo NL 12 360 EDC, ambos 97. Para ele, o maior atrativo para se comprar um usado com o selo Viking é a garantia. “Em outro lugar talvez fosse mais barato, mas a garantia compensa”, explicou. Fernandes pagou R$ 160 mil. Ele financiou uma parte e está pagando 36 parcelas de R$ 3.500. Fez um leasing. “O Procaminhoneiro não compensa, porque tem taxa disso e taxa daquilo. Acaba saindo mais caro. Além disso, a burocracia é muito grande”, afirma.

José Messias Caetano, dono da Quefira Transportadora, de São Paulo, também aponta a garantia como o principal atrativo dos programas de seminovos das montadoras. Ele tem uma frota de 41 caminhões Scania, dos quais 20 foram comprados do Superzerado. Os dois últimos, recém-adquiridos, são do modelo R 124 400, um 2003 e outro 2004. O primeiro custou R$ 215 mil e o segundo R$ 230 mil.

José também costuma comprar caminhões novos, mas está esperando a entrega para janeiro.

 
 

 
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