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O novato conquista espaço
Os bitrenzões –
superbitrens de nove eixos – começam a freqüentar
a malha do país. Sua operação tem muito
em comum com o bitrem de sete eixos e a troca parece ser um
passo natural para aumentar a capacidade da frota. É
o que dizem os pioneiros na escolha em Minas Gerais
Luciano Alves Pereira
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Superbitrem de silos: apesar da
elevada tara, se dá bem na prova
do custo/benefício
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“Existe movimento nessa direção,
mas não é generalizado”, diz Flávio
Pereira, gerente operacional da Transavante, de Pedro Leopoldo,
perto de Belo Horizonte, referindo-se à subida de degrau
nas configurações de sete para nove eixos. Há
seis meses, a empresa testa dois superbitrens, do tipo silo,
puxados por Scania R 480, de motor V8.
Jair Tassi, diretor da Transtassi, de Poços
de Caldas, diz que é uma tendência. “As
BRs não comportam carretas cada vez mais compridas,
mas os transportadores reagem com tesourões como esses,
quando esmagados pelos fretes impostos pelos embarcadores.”
A seu ver, aderir ao superbitrem – ou “/9”
(“barra nove”, como também é chamado
em Minas) – é mais uma forma de tentar sobreviver
num ambiente onde “quem manda é o cliente e a
concorrência é ruinosa”, segundo suas palavras.
Flávio Pereira ressalta que a Transavante
ainda está estudando o comportamento e rendimento do
superbitrem. Os da empresa portam dois silos de 26 m3 cada.
Levam cal hidratada da Ical, em Pedro Leopoldo, para a siderúrgica
da Açominas, em Ouro Branco, numa distância de
140 km. Os Scania têm tração 6x4 e câmbio
automatizado Optcruise. Flávio já notou a economia
de pneus, em comparação com os 16 bitrens de
sete eixos que fazem o mesmo trabalho, cujos cavalos-mecânicos
6x2 “gastam pneus como sabão na mão de
lavadeira”.
RAPIDEZ – Segurança
e tempo de viagem são outras virtudes do superbitrem,
afirma Pereira. “Com 74 toneladas de PBTC, ele leva
apenas uns 10 minutos a mais que o bitrem no mesmo trajeto”,
informa Flávio, acentuando que o percurso tem boas
estradas (MG-10 e BR-040). “E o conjunto não
tranca a estrada, apesar das serras.”
O equipamento da Transavante pega de 49 a
50 t de carga líquida, em cima de um conjunto com 25
t de tara. Na aritmética das cargas a granel, a cal
hidratada moída não alcança a melhor
nota, porque requer carreta-silo, de alto peso morto.
O Expresso Figueiredo, de Belo Horizonte,
tem mais experiência com o superbitrem – já
opera mais de 30, numa parceria com a Randon. São semi-reboques
dedicados a uma carga sem jeito, de bobinas de aço
laminado e rolos de fio-máquina.
Ao contrário do relato de Flávio,
os bitrenzões do Figueiredo que trafegam pela Fernão
Dias chegam mais depressa que os bitrens comuns, segundo revelou
à Carga Pesada um de seus motoristas. O emprego de
cavalo-mecânico Volvo FH de 520 cv mais câmbio
automatizado I Shift aumentou a velocidade média da
transferência em 10%. E a carga transportada é
30% maior. O consumo, pelas estimativas do motorista, é
17% mais alto.
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Flávio Pereira, da
Transavante: economia de
pneus em relação aos
bitrens de sete eixos
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FORÇA – Diante desses números,
ressalta a importância da relação peso/potência
de um bitelão desses. Nas configurações
iniciais de superbitrens, vistas na região central
de Minas, o Mercedes Axor 3344 libera 5,78 cv/tonelada, o
Scania, 6,48 cv/t e o Volvo, 7 cv/t. A norma brasileira pede
o mínimo de 6 cv/t de PBTC.
Essa ‘dose’, no entanto, não
parece estar sendo levada ao pé da letra por outros
pioneiros. A Zappellini, de Lages (SC), anunciou que vai comprar
100 conjuntos de 30 m de comprimento para fazer viagens entre
Santa Catarina e Minas Gerais. Uma de suas coligadas é
a concessionária Mercedes de Lages, a Corena. Assim,
deverá usar cavalos dessa marca. Já o comprimento
avantajado deve-se à carga de bobinas de papel da Klabin,
com origem em Correia Pinto (SC). No retorno, embarcam-se
bags de cal hidratada em Pedro Leopoldo.
Na direção dos superbitrens,
os motoristas têm melhores salários e precisam
redobrar a atenção em curvas de raio pequeno.
“Com 25 a 30 metros de comprimento, a gente tem de ‘comer’
um pedaço da faixa da esquerda, para não deixar
o rodeiro da última carreta cair na valeta”,
diz o motorista da Figueiredo. O habitual pernoite nos postos
estradeiros também dependerá de cuidadoso planejamento
das paradas. “Depois das 10, raramente tem vaga nos
postos”, afirma o profissional. Neste capítulo,
Flávio Pereira, da Transavante, observa que “os
postos estradeiros já estão em guerra com os
condutores de bitrens não-clientes: eles ocupam muito
espaço nos pátios”.
Adiantando-se ao interesse dos bitrenzeiros,
a NTC&Logística publicou um comparativo de custos
por tonelada transportada entre os superbitrens e os bitrens
comuns. Em rotas de mil km, com carga líquida, o superbitrem
traz economia de 12,8%. Se o percurso for de seis mil km,
com carga seca, a vantagem é de 15,1%. Esses números
estão num estudo que inclui as vanderléias (carretas
com eixos afastados), cujo título é “Bitrens
x ‘vanderléias’: a difícil escolha”,
que pode ser acessado no site www.cargapesada.com.br.
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