Memória

 

Chevrolet 6.500.
Ou, simplesmente, Chevrolet Brasil

O mapa do Brasil desenhado no logotipo da Chevrolet avisava que o caminhão era fabricado aqui e inspirou o nome pelo qual ainda é conhecido

Jackson Liasch

Profissionais capacitados e ferramentas para reduzir o custo com pneus

O caminhão Chevrolet 6.500 foi produzido pela General Motors, em São Caetano do Sul (SP), de 1958 a 1964. Primeiro veículo fabricado no país pela GM, estampava o mapa do Brasil nos emblemas laterais e inserido no logotipo em forma de gravata da Chevrolet, o que o tornou conhecido como Chevrolet Brasil.

Era um caminhão médio, para 6,5 t, destinado a uso misto cidade/estrada, e seu motor de 4.200 cc desenvolvia 142 hp, o que lhe conferia um “custo mínimo por tonelada/quilômetro”, conforme apregoava um anúncio em 1960. Outra propaganda garantia peças genuínas nos “mais de 300 concessionários por todo o país”.

O modelo brasileiro não era muito diferente do Chevrolet norte-americano a partir do qual foi concebido, tendo recebido apenas uma grade mais “moderna” num projeto de 1948 – os importados àquela época já tinham uma cabine mais bonita, apelidada de “Marta Rocha” em alusão à famosa miss Brasil. Mantinha o tradicional motor de seis cilindros à gasolina, de baixa rotação, e sua mecânica simples era garantia de robustez e durabilidade. A transmissão era eficiente e a reduzida elevava o torque das quatro marchas à frente, tudo isso suportado por um chassi com longarinas e transversinas reforçadas para rodar em condições mais severas.

O mapa estampado nos emblemas laterais e frontal deu origem ao nome de Chevrolet Brasil

Desde que foi lançado, sofreu algumas modificações de estilo, como a inscrição Chevrolet no “bigode” da grade em 1959 e dois vincos no capô do motor em 1960. As mudanças mais significativas aconteceram em 1963, quando recebeu teto avançado, vidro traseiro bipartido – para facilitar as manobras – e faróis duplos encaixados numa nova grade do radiador. Assim ficou só até 1964, quando foi lançada a linha C65, com a cabine totalmente reestilizada.

O anúncio publicado em fevereiro de 1960, na revista Seleções do Reader’s Digest, ressalta a força e a economia do Chevrolet Brasil

O exemplar impecável desta reportagem pertence a Wilson Chagas, de Curitiba (PR), que também é dono do caminhão Reo que ilustrou nossa edição 134, de outubro/novembro de 2007. Foi adquirido zero-quilômetro, em 1963, e mantém todos os equipamentos originais funcionando perfeitamente, como o curioso motor de partida acionado por um pedal à esquerda da embreagem. Apenas a pintura foi refeita há 10 anos, pois o sol foi implacável. Mas a pintura interna da cabine permanece a mesma de fábrica, harmoniosa com as bucólicas cortininhas, acessório bastante usado naquela época.

 
 

 
 
Barriga d’água” era de 1958
 
  O leitor Miklos G. Stammer, de Curitiba (PR), colecionador de caminhões FNM e pesquisador da marca, apontou três imprecisões no texto que publicamos na edição 133, sob o título “O último ‘fenemê’ foi o Iveco 190H”. Aqui estão as informações corretas: o modelo que ganhou o apelido de “barriga d’água” (por causa de um problema crônico de vazamento de água pelo bloco do motor, segundo o Miklos) foi o Fenemê D-11000 produzido em 1958, e não o D-9500 de 1951; a marca italiana Isotta Fraschini, de onde se originaram os primeiros FNM fabricados no Brasil, fechou exatamente no ano em que a FNM abriu, 1949, e não em 1950; e o período em que o D-11000 foi produzido foi 1958-72, em vez de 1961-71.  
 
 
  Sumário da Edição