Edição 147


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Com os Euro 5, emissões caem e custos aumentam
 
Para poluir menos, caminhões custarão de 10% a 15% mais que os atuais, a partir de 2012. Sem falar que o diesel para fazê-los funcionar também terá que ser mais limpo – e mais caro
Dilene Antonucci
 


Como ficará a planilha de custos das empresas de transportes a partir de 2012 com a chegada dos caminhões equipados com motores que atenderão às normas de emissões Conama – Fase 7, compatíveis com Euro 5?

Este foi um dos temas do Seminário sobre Emissões de Veículos a Diesel que aconteceu em São Paulo, simultaneamente à Fenatran. Já se sabe que, por serem menos poluentes, estes veículos deverão custar de 10% a 15% mais que os atuais equipados com motores Euro 3.

Esse custo, no entanto, não será o único a ser considerado. A Petrobras ainda não se arrisca a dizer quanto custará o diesel mais limpo, de 50 ppm (partículas por milhão) de enxofre, que vai substituir o atual, de 1.800 ppm, também a partir de 2012, e o de 10 ppm, a partir de 2013. “O que sabemos é que qualidade tem preço”, preveniu Frederico Kremer, gerente de soluções comerciais da Petrobras e um dos convidados do encontro. Segundo ele, a empresa deverá investir mais de 7 bilhões de dólares para produzir um diesel melhor até 2013.

O Brasil consome anualmente nada menos que 45 bilhões de litros de óleo diesel. A maior parte, 32 bilhões de litros, é utilizada no transporte rodoviário de cargas e passageiros.

Para atender às novas normas de emissões, entretanto, só o diesel mais limpo também não basta. A maioria dos motores Euro 5 deverá adotar o SCR (Seletive Catalitic Reduction), sistema que utiliza no pós-tratamento dos gases de escape o Arla 32, produto químico composto por 32,5% de ureia dissolvida em água, que neutraliza o NOx resultante da combustão, convertendo-o em substâncias inofensivas e não contaminantes: nitrogênio e água.

Para abastecer os caminhões que sairão das fábricas a partir de janeiro de 2012, portanto, além do diesel mais limpo – e, muito provavelmente, mais caro – será necessário encher também outro tanque: o de ureia, ou Arla 32, como ficou batizado no Brasil o Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo.

Pelos cálculos dos técnicos, a relação de consumo entre diesel e ureia é de 5%. Ou seja, um caminhão pesado rodando 120 mil km por ano consumirá em média 60 mil litros de diesel e três mil litros de ureia. Se acontecer por aqui o que se vê na Europa e Estados Unidos, um litro de ureia ou Arla 32 custará o mesmo que um litro de diesel.

A boa notícia, além de uma redução significativa nas emissões de poluentes, é que este aumento de custo poderá ser compensado, em parte, por uma redução no consumo de diesel de 5% a 8% com os novos motores.

O problema são os Euro 0

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