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O caminho dos usados

 

 
Caminhoneiro, você está pensando em trocar o seu bruto? Já pensou nisso, mas ainda não teve oportunidade ou coragem de enfrentar um vendedor ou um banco? Vamos tentar mostrar aqui o caminho das pedras:

                 Apesar dos vendedores de usados estarem reclamando, ainda é possível encontrar aquele bruto à venda em condições bastante razoáveis. Como campeão de revenda, o Scania continua imbatível. Além de ser o mais procurado, é o que tem o melhor preço.

                 Segundo Jairo Sabatini, da Carga Pesada Veículos, de Curitiba, financiamento existe, embora algumas pessoas digam o contrário. "Só que para consegui-lo é preciso ter credibilidade profissional e preencher as exigências de cadastro." Ele cita os bancos Dibens, Fibra "ou qualquer um onde o caminhoneiro tenha conta corrente", para se fazer o financiamento de 70% do valor total. Ou seja, a entrada deve ser de no mínimo 30%. Sabatini aconselha dar uma entrada boa para que a prestação fique acessível. Com as taxas de juros variando de 3 a 5% ao mês, o financiamento pode ser feito em 24 e 36 meses.

                 Ângelo Dias, da Savana Usados, orienta o caminhoneiro indicando quais são os requisitos para a aprovação de um cadastro de compra ou de financiamento.

                A relação de documentos abaixo deve ser entregue pelo caminhoneiro autônomo. Ângelo reconhece que a vida do caminhoneiro não anda fácil. O frete caiu muito e suportar uma prestação de R$ 1.400 é muito difícil. "Se você coloca aí mais uns R$ 400 de seguro, fica quase impossível pagar."

                  IDONEIDADE - Janir Azevedo, da Divesa, alerta aos caminhoneiros que se deve procurar um vendedor idôneo, de preferência de uma concessionária, ou de empresa estabelecida há vários anos no mercado. Ele conta que um caminhoneiro ficou um dia inteiro no pátio da Divesa esperando um caminhão que havia comprado em São Paulo. O homem lhe disse que tinha marcado com o vendedor paulista a entrega do caminhão naquele local. Com a demora, ele pediu para telefonar. Alguém do outro lado da linha respondeu que o caminhão estava a caminho. As horas passaram e o caminhão não chegou. "Foi mais um golpe contra o sofrido caminhoneiro. Mas ele também tem parte da culpa. Como é que faz uma compra assim? Só porque viu uma placa vistosa na frente de um pátio?"

               Os três ven-dedores reconhecem que o mercado, em função da crise financeira e do aumento dos juros, nunca esteve tão ruim. Na Divesa Usados, a média de vendas mensais no ano passado era de 50 e agora está em 28. Na Savana Usados, a média era de 20, no momento é de apenas 10. A queda mais sentida foi na Carga Pesada: vendia cerca de 30 caminhões por mês no ano passado, mas não conseguiu passar de 14 em nenhum mês de 98. Em setembro, foram apenas 9, na maioria Scania dos anos 85 a 90. A Carga Pesada é uma revenda de usados que já está há mais de 20 anos no mercado.

               Sabatini conclui dando mais um conselho: o caminhoneiro não deve assumir nenhuma prestação acima de R$ 2.000. Para comprar o Volvo 95, ele deverá dar uma entrada maior ou dar o seu caminhão como parcela de pagamento para reduzir o valor das prestações.

 

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