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CÓDIGO
 

 

Tem que ter tacógrafo

 

 

Muitos caminhoneiros tiveram que desembolsar mais alguns trocados para atender ao Código Brasileiro de Trânsito e, assim, evitar multas de R$ 109,29 e a perda de 5 pontos no prontuário.

Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito diz que desde o dia 1.º de janeiro de 1999, é obrigatório o uso do tacógrafo em todos os veículos de transporte de carga com capacidade máxima de tração superior a 19t e peso bruto total superior a 4536 kg fabricados entre 1991 e 1999 em diante. Obriga ainda a colocação em todos os veículos de transporte de escolares, de cargas perigosas e de passageiros com mais de dez lugares (ônibus e microônibus) mesmo que sejam anteriores a 1991. O mesmo regulamento desobriga os veículos de carga comuns fabricados antes de 1991 de instalar o equipamento.

Além de controlar a velocidade, o tacógrafo é um importante instrumento de monitoramento e de racionalização do uso de veículos. As informações registradas pelo equipamento permitem identificar a maneira mais segura e mais econômica para operar o caminhão.

Segundo levantamento feito pela NTC - Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas - , apenas 60% dos veículos de frotas enquadrados no uso obrigatório a partir de 1.º de janeiro já possuem tacógrafo. Entre os transportadores autônomos, o percentual se encontra ao redor de 50%.

Quem for flagrado sem tacógrafo será multado e terá o veículo apreendido até a instalação do equipamento.

 

Para o Sindicam-Pr,
há interesses comerciais por trás da nova exigência

 

 

O Sindicam-PR não está satisfeito com a nova exigência a respeito do tacógrafo. “Nós esperamos muito por este código, mas estamos nos decepcionando com os arranjos que têm sido feitos nele através das resoluções; estão desfigurando o código”, afirma Diumar Bueno, presidente do sindicato. Segundo ele, “estas resoluções são injustas, ferem direitos adquiridos e acobertam interesses comerciais escusos”.

          O presidente do Sindicam afirma que a exigência do tacógrafo está causando transtornos à classe do caminhoneiros, já que, além da compra do equipamento, muitas vezes é necessário fazer uma adaptação no veículo, “o que encarece em mais 50% o preço do equipamento”. Ele não sabe precisar o valor, mas acredita que, para se adequar à lei, o caminhoneiro está tendo que desembolsar cerca de R$ 1.200,00.

          MONOPÓLIO - Mas a denúncia mais grave que Bueno faz é a de monopólio no setor. Segundo ele, existe um monopólio na venda de tacógrafos no Brasil. “Os fabricantes que eram concorrentes da VDO passaram para o controle da VDO, o que eliminou a concorrência. Assim, me parece que a resolução veio mais para atender interesses comerciais do grupo alemão do que realmente para controlar a velocidade e dar maior segurança no trânsito.”

          Bueno salienta que não é contra a obrigatoriedade do equipamento, mas sim contra a forma como foi baixada a regulamentação. “Ela privilegia uns em detrimento de outros. No meu entender, uma lei para ser justa tem que ser para todos e não só para alguns. Ao estipular o ano de 1991, ela prejudicou uma grande parte dos profissionais do volante. Não pelo aspecto da segurança, mas pelo lado comercial. Com apenas um fabricante que controla as três marcas do mercado, o caminhoneiro se sente indefeso na sua liberdade de escolha . Pior do que isso, ele se sente roubado pelos preços abusivos e sem controle.” Diumar vai além na sua denúncia, dizendo que este monopólio é crime e que vai lutar na justiça contra ele. “Estamos nos embasando juridicamente porque não queremos ser lesados.”

          CONCORRÊNCIA - As afirmações do presidente do Sindicam-PR são contestadas pelo gerente de vendas da VDO, Luiz Munhoz. Segundo ele, existe concorrência no mercado, sim. Para mostrar que não está mentindo, ele cita as marcas: Neva, uma outra marca de origem escocesa que equipa os caminhões FH12 da Volvo, e a VederRooth, que está importando e distribuindo o produto.

          Munhoz contesta também os preços apontados pelo presidente do Sindicam-PR (veja os preços apurados pela Carga Pesada junto à VDO e outro fabricante).

 Procurado insistentemente por mais de uma semana, o presidente do Denatran, Gidel Dantas, deu uma série de desculpas para não atender a reportagem da Carga Pesada e explicar os motivos da série de resoluções baixadas recentemente.

         

 

 

Preços e financiamento

 

 

Existem dois tipos de tacógrafos: o mecânico e o eletrônico. A escolha de uma versão ou outra vai depender do modelo e do ano de fabricação do caminhão. O eletrônico, apesar de mais caro, tem algumas vantagens que compensam o gasto inicial de instalação; o mecânico tem peças que se desgastam e precisam ser trocadas depois de algum tempo.

          Um comunicado divulgado pela NTC diz que a VDO do Brasil decidiu reduzir os preços do tacógrafo mecânico para R$ 390,00 e dos eletrônicos para R$ 664,00. Além desse preço básico, o usuário paga os custos de instalação, que variam conforme o modelo do equipamento e do veículo, de R$ 20,00 a R$ 170,00.

          Existe um convênio entre a NTC e a VDO. Pelo acordo, a NTC e os sindicatos de empresas de transporte rodoviário de carga e de transportadores autônomos vão intermediar a comercialização do equipamento. A NTC se encarrega de distribuir aos sindicados o modelo do pedido de compra. Os sindicatos providenciarão cópia e remessa do formulário para as empresas e os autônomos filiados que manifestarem interesse em adquirir o dispositivo. Em seguida, os sindicatos receberão os modelos preenchidos e os encaminharão à NTC, que os enviará à VDO para atendimento pelo posto mais próximo ao cliente.

          Para comprar direto num posto da VDO, porém, o preço é mais alto. A Carga Pesada apurou que na Takvel Indústria e Comércio, de São Paulo, por exemplo, o tacógrafo mecânico custa R$ 550,00 e o eletrônico R$ 800,00 (preços que podem ser pagos em três vezes, sem acréscimo).

          A VDO informa ainda que fez um convênio com o Bradesco para financiar o pagamento dos tacógrafos, em até 12 prestações e com juros de 4,5% ao mês.

          A Comércio e Indústria Neva, de São Paulo, também revelou os preços de sua marca de tacógrafos para a Carga Pesada: tacógrafo mecânico, R$ 522,00; com kits, R$ 655,00; tacógrafo eletrônico, R$ 790,00; com kits, R$ 900,00. Estes preços também podem ser pagos em três vezes - uma entrada e mais duas.

 

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