CONCORRÊNCIA
 

 

O que dizem de um e de outro

 

Eles são semipesados. Um, o L 1620, da Mercedes-Benz, é líder de mercado no segmento. O outro, o Volkswagen 16.200, está em segundo. São ambos muito populares. E nós fomos perguntar a motoristas que trabalham com eles, que estão “casados” com eles, que passam os dias na boléia deles, o que pensam de um e de outro. O resultado dessas tantas conversas está nesta reportagem

Paulo Gomes Carvalho dirige um L 1620 há três anos, desde que o caminhão foi comprado novo por seu patrão, Yokive Kazuo, dono do Supermercado Chibana, que fica em Vila Alpina, São Paulo. Paulo vai com o veículo, dia sim, dia não, ao Ceagesp, buscar verduras e frutas, e nos outros dias percorre atacadistas atrás de outras mercadorias. De vez em quando, ele também manobra um VW 16.200 que vem entregar produtos no supermercado. Assim, pode comparar os dois modelos. “O Volks anda mais. O 1620 pede marcha na ladeira. A vantagem é que não quebra. Mas o 1313, que o patrão tinha antes e vendeu para comprar esse, era melhor.”

Alexandre Leonel da Silva, o Xande, e Joel Moura trabalham para o Box 6 do Ceagesp, de José Luís Vasconcelos, que tem quatro Mercedes 1620. Na opinião de Xande, esse é um caminhão “para estrada”. “Dentro de São Paulo, é muito lento. E para engatar a ré você tem que dar um ‘balanceio’, senão enrosca”, diz ele. Mas elogia a direção hidráulica e a facilidade para equipar. Seu colega Joel tem queixas do conforto: “O banco não posiciona legal.” Xande concorda. Para ambos, os antigos modelos 1113, 1313 e 1513 eram melhores nessa parte. Para os patrões, os irmãos José Luís e Valter Vasconcelos, o importante é que sejam Mercedes, porque são veículos com grande valor de revenda. Eles compraram os caminhões novos há um ano e meio por R$ 63 mil cada e acreditam que poderiam vendê-los hoje pelo mesmo valor. “Ou mais, pois foram equipados”, diz Valter.

Sebastião Sidnei Silva, caminhoneiro há 25 anos, traz laranjas do interior do Estado de São Paulo para a Capital no mesmo caminhão VW 16.200 há um ano e meio, desde que foi comprado novo pelo patrão em Limeira. Sebastião afirma que o Volkswagen, em comparação com o 1620 de colegas, “sobe mais” e é “melhor na cidade”, mas que o “câmbio de cinco marchas judia do motor”, embora ele saiba que os modelos mais recentes já têm câmbio de seis marchas. Ele não teve sorte com a bomba: “Já troquei seis, mas soube que isso também melhorou depois”.

ECONOMIA - Juliano Valmir Brasil tem o mesmo tempo de profissão que o seu caminhão tem de uso: dois anos. Ele usa o VW 16.200 de sua irmã para levar peixe de Itajaí (SC) para São Paulo, a mesma rota que seu pai faz em um Mercedes-Benz 1618, veículo no qual Juliano aprendeu a dirigir. Juliano também acha que o VW rende mais na subida. Outra vantagem é a economia. “Meu pai gasta R$ 13 a mais que eu em cada abastecimento, vindo de Itajaí para São Paulo.” Para o jovem caminhoneiro, os pontos negativos são: “Pouco espaço na cabine, nenhum debaixo do banco, onde não se pode levar nada, maior risco em caso de batida de frente, por falta do bico, e baixo valor de revenda”.

Artur Guerreiro, de Castanhal (PA), também dirige um VW 16.200 com apenas seis meses de uso e tem a seguinte teoria: “O VW é melhor para o trabalho, enquanto o 1620 da Mercedes é melhor na hora de vender”. O patrão do Artur tem dois VW 16.200 que são usados para transportar “verdura” do Pará para São Paulo e vice-versa. Artur é cheio de elogios ao seu caminhão. “Ele é andador, vai muito bem. Para subir é uma maravilha. A redução é melhor que no Mercedes. E a manutenção é mais barata.” Mas Artur também tem queixas. “A cabine é muito pequena e chacoalha de lado. Não tem conforto. Eu levo a minha mala em cima do banco, não tem onde guardar.”

 
 
 
 
 
 
CARACTERÍSTICAS DIFERENTES
 
 

 
 
O RANKING - número de semipesado de 16 ton. vendidos em 1999