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CEGONHEIROS
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Fábrica sim, empregos não
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Descentralização da produção de carros significa que carretas farão a ida e a volta carregadas... Ao saber da notícia de que a General Motors não iria contratar cegonheiros locais para transportar seus carros produzidos na recém-instalada fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, cerca de cem cegonheiros gaúchos protestaram em frente ao palácio do governo, em Porto Alegre, no dia 14 de junho. Eles queriam o serviço para eles, mas a GM decidiu não contratar ninguém, ficando com as transportadoras que já fazem esse serviço para ela. A bronca dos gaúchos suscitou uma pergunta: afinal, a entrada em operação de várias fábricas de automóveis fora do ABC Paulista e Betim (MG) não vai gerar mais empregos no setor do transporte? A resposta do presidente da ANTV (Associação Nacional de Transporte de Veículos), Paulo Roberto Guedes, é não. "O que vai ocorrer", diz ele, "é a sinergia no transporte, ou seja, com fábricas em vários pontos do País, as montadoras vão passar a fazer frete-retorno e as carretas farão a ida e a volta carregadas". Os cegonheiros que trabalham para as 10 empresas filiadas à ANTV fazem 95% do transporte de veículos no País e no Mercosul e são suficientes para atender à demanda, acrescenta Guedes. PROTECIONISMO - Mas os gaúchos querem quebrar o que chamam de protecionismo aos cegonheiros paulistas. Um dos líderes do protesto, Afonso Carvalho, no ramo há 21 anos e empregado de uma transportadora, afirma que eles até formaram uma cooperativa, em junho, com a intenção de atender à fábrica da GM instalada em Gravataí _ a Coopertravers, que reúne nove empresários e 12 autônomos. Segundo Carvalho, o Sul tem 300 carretas-cegonhas e a frota mais renovada do País, com média de idade de 4 a 5 anos. Só que, para entrar no transporte de veículos nacionais, a cooperativa terá que se filiar à ANTV, o que não havia ocorrido até o fechamento desta edição. O assunto estava para ser discutido em reunião entre o governo do Rio Grande do Sul, GM, ANTV e sindicato dos trabalhadores. Independente do resultado da reunião, para Paulo Roberto Guedes a acusação de protecionismo não procede. Ele diz que a ANTV tem filiais em todo o País e que, dos 1.800 carreteiros que prestam serviço para as empresas associadas, há 147 do Rio Grande do Sul, 110 do Paraná e cerca de 20 de Santa Catarina. "As próprias empresas paulistas contratam carreteiros gaúchos para levar os seus produtos para as regiões que eles conhecem como a palma de suas mãos. Temos também carreteiros nordestinos e nortistas, que se especializaram em transportar veículos para as suas regiões." Há ainda outra razão para explicar por que as novas fábricas não aumentam o número de empregos para cegonheiros, segundo o presidente da ANTV. É que o número de carretas-cegonhas trabalhando atualmente é o mesmo de quando o Brasil produziu seu recorde de 2 milhões de carros num ano, em 1997. Só que hoje a produção é de 1,5 milhão de carros por ano. |