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A
verdade do Ministro...
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O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, fala na solenidade realizada no Porto de Paranaguá: "O senhor me desculpe..." | |||||
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Em maio, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, esteve em Paranaguá, participando do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Transporte e para assinatura de um convênio pelo qual o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná passa a colaborar com a administração do pátio de triagem de caminhões do porto. A reportagem da Carga Pesada procurou ouvir o ministro durante uma tumultuada entrevista coletiva. O trecho a seguir tem alguns diálogos: Ministro, as montadoras nos informaram que ainda não realizaram nenhuma operação de financiamento do Finame para caminhoneiros autônomos. O sr. me desculpe, mas não é verdade. Qual montadora lhe informou? Mude a pergunta para que eu possa responder. Essa informação é de várias montadoras. Scania, Volvo, Volkswagen. As assessorias de imprensa nos disseram. Ah! Eu vou mandar a cópia pra ti da correspondência que vou enviar para eles. Vou procurar responsabilizá-los, porque não é verdade e mentir para a opinião pública é crime. Ministro, temos recebido várias informações de que as embarcadoras estão descontando do preço do frete o valor do vale-pedágio, ou seja, os autônomos continuam pagando o pedágio. É possível que esteja acontecendo isso. Só que eles devem fazer as denúncias para que a gente possa apurar. Se estiver acontecendo, tem dois crimes, um de falsidade ideológica, porque o sujeito está construindo um documento falsificado e por isso pode ir para a prisão, e o outro contra a economia popular. Os caminhoneiros alegam que não podem denunciar, senão perdem o frete. Se não houver a denúncia, o Estado não pode agir. O Estado só age diante do fato materializado: foi o motorista tal, a empresa é tal, a nota fiscal é a tal e onde está embutido. Se ninguém botar a cara para exercitar seus direitos, fica difícil o poder público poder agir. A entrevista é encerrada e o ministro entra no auditório, onde faz uma palestra. Um assessor entrega-lhe um papel e, ao final de sua explanação, ele diz para o auditório: Alguém me perguntava ali e já veio a resposta aqui. Operações do Finame até abril de 2001... 9 milhões... 172 operações... 10 por cento destas operações foram aqui no Paraná, 17 operações. BCN, Bradesco, Banco da Volkswagen, Meridional e Banco da Volvo. Aquele negócio que lhe disseram, que não havia nenhuma operação no Brasil... Falar contra o governo é fácil. Vai-se ver os fatos, não era bem assim. |
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Ao terminar sua palestra em Paranaguá, o ministro Eliseu Padilha assinou o convênio e foi almoçar, enquanto a reportagem da Carga Pesada partia para o trabalho de checar, com os bancos, as informações que ele havia dado sobre o Finame. Encontramos uma situação bem diferente da que ele relatou. Segundo Leomar José May, gerente do departamento jurídico do BCN de Curitiba, nenhum contrato pelo Finame para autônomos foi firmado no Paraná até abril. Essa informação desmente o ministro, mas May acrescentou que, no final de maio, foi realizado o primeiro contrato no Paraná pelo Finame, com o motorista Antônio Thibes, de Curitiba. O funcionário do BCN acrescentou um comentário: "É muito grande a dificuldade para realizar esse tipo de operação". "UMAS TERRAS" - Thibes também nos deu uma entrevista. Disse que tinha um 114 ano 88 e vendeu por R$ 95 mil. Deu o dinheiro de entrada e financiou os restantes R$ 64.600 em 60 meses, através do Finame para Autônomos. A primeira prestação, de R$ 1.700, só vence daqui a um ano. A operação só foi possível porque Thibes ofereceu boas garantias: casa própria em Curitiba e "umas terras" no Mato Grosso. Outro banco a desmentir o ministro foi o da Volvo. Segundo o assessor Valter Viapiana, até abril o banco não havia realizado nenhuma operação pelo Finame, em nenhum lugar. No fim de maio, a Nórdica, concessionária Volvo em Curitiba, finalmente encaminhou o motorista Valdir Machado à Volvo Serviços Financeiros para a primeira operação com o Finame para autônomos. Ciro Menocim, gerente de venda da concessionária, informou que a operação somente foi possível porque Machado é um caso especial. O motorista é agregado do Grupo Imaribo (proprietário da Nórdica) desde 1989. O financiamento será saldado pelo próprio Grupo Imaribo, que descontará as prestações dos haveres de seu agregado. Também não foi possível confirmar as informações do ministro em outro banco citado por ele. A assessoria de imprensa da Volkswagen disse que o banco da montadora ainda está estudando o Finame e, portanto, não realizou nenhuma operação dentro do Finame para autônomo. Indicou que os estudos continuam e que uma modalidade semelhante pode vir a ser lançada em breve. |
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