Caminhões

O jacaré, o bicudo e o cara-chata

 

A pergunta está de volta: na hora de conseguir o frete, carregar a carga, sair para a estrada e buscar o destino, qual caminhão leva vantagem _ o mais veterano, experiente, que já enfrentou de tudo, o "meia vida" ou o recém-chegado da fábrica? Aqui está a comparação entre três Scania com a mesma capacidade e equipados de carroceria tipo baú. Leia os depoimentos dos proprietários.
Ademir é dono de dois caminhões: um cara-chata 97/98 e um bicudo 92

Cleber e o pai, Onildo, fazem negócio com Carlito: trocaram de baú e voltaram um troco para o Carlito poder consertar o motor do caminhão dele

 

O jacaré

Caminhão: Scania 111S ano de fabricação 1977.
Valor: "R$ 20 mil só o cavalo, R$ 30 mil completo".
Condutor: o proprietário, Onildo Ziemann, de Santa Maria (RS), e seu filho Cleber.
Rota e carga: "Eu rodo uns 15 mil quilômetros por mês. Mas só carga leve. Normalmente, carrego embalagens plásticas de São Paulo a Recife. Na última viagem, de Recife a Salvador, levei embalagens para água mineral, copinhos. De Salvador para São Paulo, vim vazio".
Consumo de combustível: "Gasto de 5 mil a 6 mil litros de diesel por mês".
Gastos com peças e oficina: "Este mês só troquei pecinha acessória. Comprei também três reguladores do alternador. Não achei o Bosch, comprei uma marca ruim aí pelo mesmo preço; não durou uma semana, tive de comprar outro. Põe uns R$ 300 de gastos por mês".
Gastos com pneus: "Eu estou usando pneus de terceiros, usados. Compro dois pneus usados, em média, por mês".
Pontos fortes: "Economia. Se não fosse econômico, eu não estava agüentando mais. Além disso, o bom desse caminhão é que aceita tudo. A casca é velha, mas o coração pode ser novo. Ele aceita adaptação de motor do 112 ou do 113 e também a tração do diferencial. Dá pra usar tudo nele".
Pontos fracos: "A idade é um problema em algumas empresas. Chego na porta e não carrego. Ainda consigo carga por causa do meu conhecimento. Trabalho direitinho há muitos anos e não me rejeitam só por causa do meu equipamento".
Comparação entre faturamento e despesas: "Sobram 30% do faturamento. É com isso que eu pago a faculdade da minha filha. São uns R$ 1.800 por mês".
Planos de comprar caminhão e comentários: "Olha, eu fui roubado há 6 anos e ainda estou tentando me levantar. Tinha um Scania 111S, ano 1981, graneleiro. Fiquei algemado um dia e meio no mato. Agora fiz uma troca aqui com o Carlito Casburgo, que conheci há dois dias: troquei meu baú com o dele, que era mais novo, e voltei um troco de R$ 5.500. Meu filho Cleber, que trabalha com contabilidade e viaja de vez em quando comigo, é que está me emprestando o dinheiro para eu dar para o Carlito".

O bicudo

Caminhão: Scania 113H, ano 1992.
Valor: R$ 60 mil.
Condutor: um contratado do Ademir Emidio de Matos, de Santa Rosa do Sul (RS), que também é proprietário do cara-chata sobre o qual você vai ler a seguir. Quem deu as informações abaixo foi o Ademir.
Rota e tipo de carga: "Ele está lá em Belo Horizonte. Veio de Buenos Aires com peças para a Fiat. Agora está carregando produtos Gessy para levar para Curitiba".
Consumo de combustível: Em média, 2,35 km por litro.
Gastos com peças e oficina: Nada no mês em que foi feita a entrevista (julho).
Gastos com pneus: "Troco um pneu por mês".
Pontos fortes: "Enquanto o cara-chata cansa menos para manobrar, o bicudo é mais confortável, tem mais espaço na cabine".
Pontos fracos: "É difícil de dirigir e menos econômico que o cara-chata, por ser mais velho. Ele também tem problemas para pegar frete. Algumas empresas só querem novo. Eu não estou tendo tanto problema porque caminhão 92 ainda é considerado bom. Mas quem tem um jacaré..."
Comparação entre faturamento e despesas: Pagando o motorista, sobram uns R$ 2.500.

O cara-chata

Caminhão: Scania 113H, ano 1997, modelo 1998.
Valor: R$ 85 mil.
Condutor: o proprietário, Ademir Emidio de Matos, de Santa Rosa do Sul (RS).
Rota e tipo de carga: "O que aparecer na frente. Eu fui do sul com móveis até Brasília. De Brasília a Minas Gerais fui vazio. Aí vim com feijão até São Paulo. Rodo de 8 mil a 10 mil quilômetros por mês".
Consumo de combustível: "Em junho eu rodei 11.600 quilômetros e gastei 4.918 litros de diesel, está aqui na planilha". Dá 2,35 km por litro.
Gastos com peças e oficina: "Nada de oficina este mês, mas gastei uns R$ 350 de pedágio. Um absurdo!"
Gastos com pneus: "Este mês não troquei nenhum. Mas, um mês pelo outro, pode pôr aí que eu troco um pneu por mês".
Pontos fortes: "Boa visão, bem ampla. E é um caminhão gostoso de manobrar, não cansa tanto".
Pontos fracos: "O desconforto da cabine".
Comparação entre faturamento e despesas: "Tirando todas as despesas, sobram uns R$ 3 mil por mês. Mas não pode parar. Tem que estar o tempo todo na estrada. Eu fico de 30 a 40 dias sem ir pra casa, sem ver a esposa e três filhos".
Planos de comprar caminhão e comentários: "Acabei de comprar o caminhão, ainda nem transferi. A placa é de Ponta-Grossa (PR). Então, por um bom tempo não penso em comprar nada".

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