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Ninguém segura as seguradoras

Elas às vezes atropelam na hora de "sujar" o nome de um caminhoneiro. E dá um trabalho "limpar" depois...

O caminhoneiro Wanderlei de Oliveira, de Piracicaba (SP), quase não conseguiu trabalhar nos últimos quatro anos. Seu nome foi parar na lista negra da Pamcary. No dia 14 de janeiro de 1997, ele pegou um frete da Transportadora Chacon e foi para a estrada com um caminhão da empresa. Em Itararé (SP), foi parado numa blitz da Polícia Rodoviária. Para surpresa de Wanderlei, o documento (CRV) do caminhão era furtado da Ciretran de Santo André (SP).

A Polícia Civil abriu um inquérito contra Wanderlei por uso de documento falso, mas até agora o dono da transportadora, Luis Antonio Sanches, que deveria ser o principal implicado, não prestou esclarecimentos por não ter sido localizado.

O final dessa história não é possível prever. O fato é que Wanderlei de Oliveira está sendo processado por um crime que não cometeu. Desesperado, Wanderlei escreveu para a Carga Pesada, pedindo ajuda. Ele conta que as portas das transportadoras se fecharam para ele por causa da ficha "suja" na Pamcary. Em fevereiro deste ano, ele comprou um Jacaré 1982 e está transportando sucata de material de construção para uma empresa de sua cidade.

SINDICATO - O caminhoneiro também disse que procurou o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e de Trabalhadores de Transportes Urbanos de Piracicaba, ao qual é filiado. O advogado do sindicato pediu paciência. No entanto, quando a reportagem ligou para o sindicato, nem o diretor nem o advogado lembravam sequer do nome de Wanderlei.

No dia 3 de novembro, a reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Pamcary, em São Paulo, e, surpreendentemente, descobriu que o nome de Wanderlei de Oliveira estava limpo desde o dia 10 de outubro.

A alegria de Wanderlei, no entanto, não durou muito. Poucos dias depois, ele ligou para nós dizendo que seu nome também estava bloqueado na Buonny. Desta vez, a revista descobriu que ele tinha dois motivos para ser considerado não recomendado pela empresa: o caso de Itararé e o vencimento de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

NÃO VENCEU - Acontece que a carteira de Wanderlei nunca esteve vencida. A Buonny informou que tinha em seus registros a data de vencimento da carteira como 29 de maio. O funcionário da empresa explicou que é dever da transportadora à qual o motorista é agregado encaminhar fax comprovando a renovação da CNH.

Sobre o caso de Itararé, para tentar limpar sua barra, Wanderlei terá de encaminhar à Buonny, via correio, ou levar pessoalmente, uma série de documentos, como cópia do inquérito policial, "certidão objeto e pé" (sobre o trâmite do processo), comprovante de residência, duas fotos 3 x 4, xerox da RG, CPF e da CNH, três telefones de contato pessoal e duas cartas de empresas para as quais trabalhou. Depois disso, a Buonny vai estudar se tira o nome dele da lista negra.

O caso do caminhoneiro de Piracicaba mostra que os instrumentos que protegem donos de cargas e transportadores podem ser bastante danosos ao caminhoneiro. Pergunta-se: e quem protege o caminhoneiro que, para trabalhar, pega um caminhão de uma transportadora cujos documentos estão irregulares?

E as entidades que dizem representar os caminhoneiros, o que fazem além de ficar com sua mensalidade?

Com todas as dificuldades por que passa a categoria, a maioria dos caminhoneiros se encontra com o moral baixo. Mais do que nunca, é preciso levantar a cabeça e lutar pelo seus direitos, seu nome e sua honra. Do contrário...

Sindicato se queixa dos abusos
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