Plano CNT de Transporte e Logística 2026 prevê intervenções em mais de 76 mil quilômetros de rodovias, com destaque para duplicações e recuperação do pavimento
O transporte rodoviário de cargas poderá ser diretamente beneficiado por um conjunto de 1.177 projetos de infraestrutura previstos no Plano CNT de Transporte e Logística 2026. As intervenções somam mais de 76 mil quilômetros de rodovias e demandariam cerca de R$ 414 bilhões em investimentos.
A maior parcela dos recursos, R$ 163,4 bilhões, está destinada à duplicação de 10.298 quilômetros de rodovias. Outros R$ 84,4 bilhões seriam aplicados na recuperação do pavimento de 26.521,6 quilômetros. O plano prevê ainda R$ 67,4 bilhões para a construção de 8.002,8 quilômetros, R$ 62 bilhões para adequações em 25.013,9 quilômetros e R$ 36,8 bilhões para a pavimentação de 6.349,5 quilômetros.
Segundo a CNT, as condições atuais da infraestrutura representam um problema direto para o transporte rodoviário. Apenas 13% da malha rodoviária brasileira é pavimentada. Na Pesquisa CNT de Rodovias 2025, 62,1% dos trechos avaliados foram classificados como Regulares, Ruins ou Péssimos. Considerando somente as rodovias públicas, o percentual sobe para 72,8%.
Para a entidade, a deficiência de conservação e de capacidade das rodovias contribui para o aumento dos custos operacionais e da ocorrência de acidentes. O problema é particularmente relevante para os caminhões, que dependem da qualidade do pavimento e da capacidade das vias para manter produtividade e segurança nas viagens.
Critérios levam em conta presença de caminhões
A seleção dos projetos rodoviários também considerou a participação dos veículos de carga no tráfego. Para a recuperação do pavimento, por exemplo, foram priorizadas rodovias públicas com pavimento classificado como ruim ou péssimo ou trechos classificados como regular, ruim ou péssimo que tenham participação de veículos de carga igual ou superior a 25% do volume médio diário.
Para as duplicações, a CNT levou em consideração, entre outros fatores, o volume médio diário de veículos e a participação dos veículos de carga. A lógica é concentrar investimentos nos trechos em que a combinação de tráfego elevado e presença significativa de caminhões provoca perda de capacidade e redução do nível de serviço.
O Plano CNT reúne 2.837 projetos, dos quais 2.509 são de Integração Nacional e 328 urbanos. A carteira completa exige aproximadamente R$ 2 trilhões, sendo cerca de R$ 511,5 bilhões destinados ao modo rodoviário. A CNT ressalta, porém, que a melhoria da logística brasileira depende também da ampliação dos investimentos em ferrovias e hidrovias e da integração entre os diferentes modais.
A entidade considera que o volume de recursos necessário torna indispensável ampliar a participação da iniciativa privada, além de melhorar o ambiente regulatório e reduzir a burocracia para acelerar a execução dos projetos.
