Participação feminina nos empregos formais do transporte rodoviário de cargas subiu de 14,9% para 17,8% em dois anos
Nelson Bortolin
Em junho de 2024, as mulheres representavam 14,9% dos empregos formais no transporte rodoviário de cargas (TRC). Eram 189.831 trabalhadoras, contra 1.081.272 homens. Dois anos depois, em junho de 2026, a participação feminina subiu para 17,8%, com 245.701 mulheres e 1.135.984 homens empregados no setor.
Os números são do Panorama CNT do Emprego no Transporte.
O levantamento mostra que, em três dos seis primeiros meses de 2026, o saldo de emprego — diferença entre o número de contratações e o de demissões — foi maior entre as mulheres do que entre os homens.
Em janeiro, o setor teve saldo negativo de 4.145 vagas, ou seja, o número de demissões superou o de contratações nesse total. O impacto foi maior entre os homens: o saldo masculino ficou negativo em 3.660 vagas, enquanto entre as mulheres o resultado foi negativo em 485.
Em fevereiro, o saldo feminino foi positivo em 2.756 vagas, contra 1.979 entre os homens. Em maio, a diferença voltou a favorecer as mulheres, com saldo de 3.258 vagas, ante 1.085 entre os homens.
Em junho, os resultados ficaram praticamente equilibrados. O saldo foi de 5.213 vagas entre os homens e 5.138 entre as mulheres, diferença de apenas 75 postos de trabalho.
Nos outros dois meses, entretanto, o saldo masculino foi significativamente maior. Em março, foram 12.712 vagas para homens, contra 6.651 para mulheres. Em abril, a diferença também foi expressiva: o saldo masculino alcançou 7.319 vagas, enquanto o feminino ficou em 2.945.

Mais mulheres nas operações

O avanço da participação feminina no setor ocorre principalmente na área administrativa. Na Transpanorama, segundo a superintendente Polyany Adamuccio, a presença de mulheres no administrativo já é bastante forte, inclusive em posições de gestão. A empresa também vem ampliando a participação feminina em áreas operacionais, como gestão de frota e coordenação.
Entre os quatro sucessores da transportadora fundada pelos irmãos Claudio e Valdecir Adamuccio, três são mulheres: além de Polyany, Jéssica e Izabella Adamuccio.
Levar mais mulheres para a boleia, porém, ainda é um grande desafio. A Transpanorama mantém uma escola interna e já conta com cerca de 45 mulheres motoristas. O número ainda é pequeno diante do total da frota, mas, segundo Polyany, representa o resultado de um trabalho que está em desenvolvimento.
“A gente dá as oportunidades. Temos uma escola interna e hoje temos, aproximadamente, 45 mulheres motoristas. Não é muito, mas começamos o trabalho e estamos desenvolvendo. A gente olha muito para essa parte social e trazer as mulheres para esse negócio é uma coisa que queremos.”
Para Polyany, aumentar a presença feminina nas estradas exige atenção especial às condições de segurança. “Eu preciso garantir a segurança de uma linha onde vou colocar uma mulher para dirigir. Tem que ser um lugar adequado, postos adequados para essa mulher parar, ter segurança e cuidar de si ali.”