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Rodovias do Sudeste são até 12 vezes mais preparadas para mitigar acidentes que as do Norte

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Painel da CNT revela forte desigualdade regional; São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná lideram ranking nacional, enquanto Amazonas, Maranhão e Roraima ocupam as últimas posições

Nelson Bortolin 

São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná concentram as rodovias brasileiras com maior capacidade de reduzir a gravidade dos acidentes de trânsito, enquanto Amazonas, Maranhão e Roraima aparecem na outra ponta do ranking nacional elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Segundo a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, divulgada nesta semana com dados de 2025, 67,6% da malha avaliada em São Paulo foi classificada com Alto Índice de Perdão. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 52,2%, seguido pelo Paraná, com 37,6%.O Índice de Perdão mede a capacidade da infraestrutura rodoviária de minimizar as consequências de acidentes quando eles ocorrem.

O conceito considera que erros humanos, falhas mecânicas e outros fatores continuarão acontecendo e, por isso, avalia se a rodovia possui características capazes de reduzir o risco de mortes e ferimentos graves, como acostamentos adequados, áreas livres de obstáculos, defensas metálicas, barreiras de proteção e outros dispositivos de segurança.

Na outra extremidade do ranking estão Amazonas, Maranhão e Roraima. Nesses estados, mais de 70% da malha pesquisada foi enquadrada na categoria de Baixo Índice de Perdão, o que indica menor capacidade da infraestrutura de reduzir a gravidade dos sinistros. Os percentuais alcançaram 74,7% no Amazonas, 74,3% no Maranhão e 71,3% em Roraima.

Os dados também evidenciam profundas desigualdades regionais. Enquanto o Sudeste registra 41% de sua malha rodoviária na categoria de Alto Índice de Perdão, o Norte apresenta apenas 3,4%. No sentido oposto, 59,5% das rodovias do Norte foram classificadas com Baixo Índice de Perdão, contra 18,5% no Sudeste.

Estabilidade nos dados

A CNT apresentou a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, ferramenta interativa que analisa a capacidade da infraestrutura rodoviária brasileira de mitigar as consequências dos acidentes. Atualizada com dados de 2025, a plataforma permite acompanhar a evolução do Índice de Perdão nas rodovias avaliadas pela Pesquisa CNT de Rodovias e comparar os resultados com os levantamentos anteriores.

Os resultados nacionais apontam relativa estabilidade. Do total da malha pesquisada, 19,9% (22.694 quilômetros) foram classificados com Alto Índice de Perdão; 42,7% (48.733 quilômetros), com Médio Índice de Perdão; e 37,5% (42.770 quilômetros), com Baixo Índice de Perdão.

Em relação a 2024, houve redução de 0,4 ponto percentual nos trechos classificados como Alto Índice de Perdão e aumento de 0,9 ponto percentual na faixa intermediária.

Os dados também revelam forte diferença entre as rodovias administradas pelo poder público e aquelas operadas pela iniciativa privada. Nas rodovias públicas, metade da malha avaliada (50%, ou 42.052 quilômetros) foi classificada com Baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% alcançaram a categoria de Alto Índice de Perdão.

Nas rodovias concedidas, o cenário é inverso. A categoria de Alto Índice de Perdão concentra 62% da extensão analisada, enquanto apenas 2,4% da malha foi enquadrada na categoria de Baixo Índice de Perdão.

Metodologia

A metodologia da CNT é baseada no conceito internacional das “rodovias que perdoam”, modelo de segurança viária voltado à construção e adaptação de vias capazes de evitar sinistros ou minimizar a gravidade de suas consequências.

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