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Indústria de óleo quer metade da frota com biocombustível em 2027

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Consorcio
Após quase um ano de testes, a Sulina Óleos Vegetais afirma que o Be8 BeVant apresenta desempenho igual ou superior ao diesel convencional e não exige adaptações nos caminhões
Nelson Bortolin
A Sulina Óleos Vegetais, indústria com sede em Guaíba (RS) e filiais em Goiás, Mato Grosso, Bahia e Pará, pretende ampliar significativamente o uso do biocombustível Be8 BeVant em sua frota. Depois de quase um ano utilizando o produto em sete caminhões, a empresa afirma que os resultados superaram as expectativas e já traça uma meta ambiciosa: abastecer metade dos cerca de 200 veículos da empresa com o combustível a partir do próximo ano.
Hoje, o Be8 BeVant é utilizado em dois caminhões DAF, dois Volvo, dois Mercedes-Benz e um Scania. Segundo o diretor-presidente da Sulina, Paulo Fernando Poeta Carvalho, o desempenho do combustível é equivalente — ou até superior — ao do diesel convencional. “É um combustível excelente. Tem a mesma performance, ou até melhor, do que o diesel comum. Não altera o consumo, não muda as médias e, até agora, não tivemos problema nenhum”, afirma.
Segundo Carvalho, um dos aspectos que mais chamou a atenção foi a limpeza do sistema de combustível. “Na hora da troca dos filtros a gente percebe que ele é mais limpo do que o diesel normalmente comprado nos postos.”

Sem adaptações

Um dos receios de transportadores em relação a novos combustíveis é a necessidade de adaptações nos veículos. Na Sulina, porém, isso não aconteceu. “O único cuidado que tivemos foi instalar um filtro adicional em dois caminhões. Nos outros nem isso foi necessário. Não identificamos nenhuma mudança no funcionamento.”
Segundo o empresário, a decisão de instalar os filtros extras partiu da própria empresa e não dos fabricantes dos caminhões. “Foi uma decisão nossa. As montadoras não se envolvem nisso. Mas eu não vou deixar de usar um combustível que, visivelmente, é melhor que o diesel.”
Os sete caminhões utilizados no teste são, em sua maioria, veículos novos. Mesmo assim, um Scania modelo 2021 também passou a utilizar o combustível sem apresentar qualquer anormalidade. “Todos estão funcionando maravilhosamente bem. Posso dizer que, até agora, tenho 100% de garantia de que não dá problema.”

Meta é chegar a 100 veículos em 2028

Animada com os resultados, a empresa pretende expandir rapidamente o uso do Be8 BeVant. “A gente tem perto de 200 caminhões. No ano que vem queremos colocar 50% da frota usando BeVant. No ano seguinte queremos chegar a 100%.”
Segundo Carvalho, a decisão vai além da questão operacional e faz parte da estratégia da empresa. “Temos uma política de redução de carbono. Hoje todo mundo precisa caminhar nessa direção. Clientes e fornecedores valorizam essa postura. Eles reconhecem quando a empresa faz esse esforço.”
Para ele, esse reconhecimento acaba gerando vantagem competitiva. “O diferencial está justamente na redução da pegada de carbono. Nossos clientes percebem esse esforço e isso agrega valor à empresa.”

Logística ainda é o maior desafio

Se a aprovação técnica do combustível já está consolidada dentro da empresa, o principal obstáculo para ampliar sua utilização ainda é a distribuição. Como o Be8 BeVant ainda não possui uma rede de abastecimento semelhante à do diesel convencional, a Sulina precisa instalar tanques próprios em suas unidades. “O problema hoje é a logística. Eu mesmo preciso levar o combustível para as filiais. O caminhão precisa conseguir sair, trabalhar e voltar para abastecer sempre na base.”
Atualmente a empresa possui tanques em Guaíba e Rondonópolis (MT). A próxima unidade a receber estrutura própria será Luís Eduardo Magalhães (BA). “Depois queremos instalar tanques em cinco filiais.”
Segundo Carvalho, a instalação é simples. “O próprio fornecedor disponibiliza o tanque. Eles levam, instalam e o sistema funciona muito bem.”

Custo maior é compensado

O empresário admite que o Be8 BeVant ainda apresenta custo superior ao diesel convencional. “Hoje ele custa entre 10% e 15% a mais.” Mesmo assim, considera que o investimento vale a pena. “Esse pequeno custo adicional é compensado pelo valor que agrega à empresa. Clientes e fornecedores reconhecem quem está reduzindo emissões de carbono. Isso acaba fortalecendo nosso relacionamento comercial.”
Questionado sobre o fato de o biocombustível ter uma durabilidade menor que o diesel fóssil Carvalho afirma não ver problema. “Nossos tanques giram muito rápido. Em 15 ou 20 dias já precisamos reabastecer novamente.”
Na avaliação dele, o mesmo cuidado deveria existir também com o diesel convencional. “Diesel parado por muito tempo também pode apresentar problemas. Por isso sempre abastecemos em postos de grande movimentação.”
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