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Licenciamentos de caminhões cresce 20% em janeiro; produção cai 57%

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Números são da Anfavea e a comparação é com o mesmo mês do ano passado; Euro 6 justifica queda na produção

Nelson Bortolin

Foram licenciados 10.457 caminhões novos em janeiro deste ano em todo o País, um crescimento de 20,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já a produção de caminhões foi de 4.049 unidades, queda de 57,2% na mesma comparação.

Considerando todos os autoveículos (carros, caminhões e ônibus), foram 142,9 mil licenciamentos no mês passado, uma alta de 12,9% na comparação com o primeiro mês de 2022. Já, na produção de 152,7 mil unidades, houve aumento de 5%.

Os números foram divulgados nesta terça-feira (7) pela associação que representa as montadoras, a Anfavea. Veja abaixo a coletiva da entidade:

O vice-presidente da entidade, Gustavo Rodrigo Bonini, explicou que a queda na produção em janeiro já era esperada em função da mudança da legislação Euro 5 para a Euro 6. A partir de janeiro deste ano, os caminhões brasileiros precisam ter motorização Euro 6 para atender normas ambientais. E, devido a esta evolução tecnológica, os preços subiram.

Os emplacamentos cresceram porque boa parte deles se referem a caminhões Euro 5 adquiridos ainda em dezembro do ano passado, ou seja, compras antecipadas pelo mercado (pré-compra).

Bonini lembrou que, em 2012, quando teve a mudança para o Euro 5, também houve uma queda brusca na produção de caminhões, que ficou abaixo de 4 mil unidades.

O vice-presidente disse, no entanto, que a pré-compra de 2022 não se deu na mesma proporção que em 2011. Em dezembro daquele ano foram produzidos 18,5 mil caminhões. Já no mesmo mês do ano passado, 14,6 mil.

Em todo o ano de 2011 foram produzidos 216.270 caminhões no Brasil. Já, em 2022, foram 161.816, ou seja, uma queda de 25%. “Esse efeito pré-compra não se concretizou no mesmo nível que em 2011 por conta da crise de oferta devido à falta de componentes. Então, não houve espaço para uma pré-compra significativa”, afirmou.

As férias coletivas nas montadoras, intensificadas no começo de 2023, também ajuda a explicar a produção menor.

ALINHAMENTO COM O GOVERNO

O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, comemorou o crescimento de 5% na produção de veículos em janeiro. Mas disse que o resultado deve ser visto com cautela. “Temos de ter cautela porque a base de crescimento (janeiro de 2022) estava muito pressionada (para baixo) pela falta de insumos para a indústria. Aquele mês foi um dos piores da história para o setor.” “Gostaríamos que o crescimento de janeiro deste ano tivesse sido maior”, declarou.

Por outro lado, o presidente demonstrou que a entidade está alinhada às propostas do governo federal. “O presidente Lula tem ressaltado seu compromisso com a reindustrialização do País e tecido críticas em relação aos juros”, afirmou.

Ele ressalvou que a entidade não está discutindo a forma como a redução de juros deve ser feita. Lula vem questionando a autonomia do Banco Central e gerando atritos entre os agentes do mercado “Mas precisando ter condições de venda. Com essa taxa de juros (Selic a 13,75% ao ano) o consumidor está saindo do mercado. É fundamental trazermos de volta esses consumidores para nossa indústria crescer e gerar empregos.”

Leite afirmou concordar com a nova gestão do BNDES, presidido por Aloízio Mercadante. “Ficou claro que a intenção é o BNDES ser utilizado como instrumento importante de alavancagem da indústria, da pesquisa e do desenvolvimento”, disse.

As gestões do PT, de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, foram marcadas pelo amplo incentivo financeiro do banco estatal à iniciativa privada, torneira que se fechou durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O presidente também disse ter conversado com ministros sobre a reforma tributária, que seria uma prioridade para o governo e toda a sociedade. “O mês de janeiro marcou uma harmonia entre o que o setor tem sustentado e o governo tem dito.”

Clique aqui para baixar a Carta da Anfavea com os números de janeiro.

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