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Conheça os estados mais perigosos para o tráfego de caminhões

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Análise de acidentes registrados nas vias federais aponta distorções graves: Paraná e Santa Catarina têm proporções de sinistros bem acima do tamanho das suas malhas rodoviárias

Nelson Bortolin

Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, nesta ordem, são os estados campeões em acidentes envolvendo caminhões em rodovias federais no Brasil. Entre 2021 e 2024, os trechos federais que cortam Minas Gerais registraram 11.256 acidentes com veículos de carga. No Paraná, as BRs concentraram 8.424 ocorrências, enquanto Santa Catarina somou 7.025 sinistros no mesmo período. Em todo o País foram 70.556.

Para entender essas diferenças, o principal fator a ser analisado é o tamanho da malha rodoviária federal em cada estado. Minas Gerais possui a maior malha do país, com cerca de 12% de um total de cerca de 75 mil km de rodovias federais, o que ajuda a explicar o elevado número absoluto de acidentes. Ainda assim, o estado concentra aproximadamente 16% de todos os sinistros com caminhões, proporção superior à sua participação na extensão das estradas.

Pelo critério da extensão da malha, a Bahia — que detém cerca de 10% das rodovias federais brasileiras — deveria ocupar a segunda posição no ranking de acidentes. No entanto, aparece apenas em quarto lugar, com cerca de 7% das ocorrências envolvendo caminhões no período analisado.

As maiores distorções aparecem justamente no Paraná e em Santa Catarina. O Paraná concentra cerca de 12% de todos os acidentes com caminhões nas rodovias federais, mas possui apenas 5% da malha. Santa Catarina, por sua vez, responde por aproximadamente 10% dos sinistros, apesar de contar com apenas 3% da extensão das rodovias federais do país.

A Revista Carga Pesada procurou a Polícia Rodoviária Federal para entender por que esses estados apresentam diferenças tão expressivas quando o assunto é acidente com caminhões na malha federal.

O órgão aponta que não existe uma explicação única para a concentração de sinistros envolvendo caminhões em determinados estados. Segundo Jeferson Almeida, coordenador-geral de segurança viária da PRF, os números refletem uma combinação de fatores estruturais, logísticos e geográficos. “A diferença no número absoluto de sinistros envolvendo veículos de carga entre as Unidades da Federação (UF) é resultado de uma combinação complexa e sinérgica de fatores, e não de uma causa isolada. A sinistralidade elevada decorre principalmente da interação entre três pilares: o tamanho e a relevância estratégica da malha rodoviária, o volume de tráfego de cargas e as características geográficas e de infraestrutura dos trechos”, explica.

De acordo com Almeida, o fator primordial para explicar o alto volume absoluto de ocorrências em estados como Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina é a posição geográfica estratégica e a extensão das rodovias federais que cortam esses territórios. “Minas Gerais possui uma das maiores malhas rodoviárias do país, sendo um nó logístico de integração nacional. As rodovias federais mineiras não apenas conectam a produção interna, mas também servem como corredores vitais entre o Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste”, afirma.

No caso do Paraná e de Santa Catarina, o peso do transporte de cargas voltado à exportação ajuda a entender os números. “A alta sinistralidade nestes estados está diretamente ligada ao escoamento da produção agroindustrial e portuária. O tráfego de caminhões é massivo, sendo rotas obrigatórias para Portos como Paranaguá (PR) e Itajaí/São Francisco do Sul (SC). Um maior volume de veículos de carga naturalmente eleva a exposição ao risco de sinistros”, destaca o coordenador da PRF.

A Pesquisa CNT de Rodovias também reforça o papel da infraestrutura no risco de acidentes. Minas Gerais apresenta o cenário mais crítico em relação à geometria da via, com 55,4% da malha classificada como Ruim ou Péssimo. O percentual de trechos em estado Péssimo (31,4%) é superior ao observado no Paraná e em Santa Catarina. Em Santa Catarina, 50,4% da malha apresenta geometria Ruim ou Péssima, reflexo direto dos desafios impostos pelo relevo de serra e planalto. Já o Paraná, embora ainda concentre problemas relevantes — com 39,4% da malha nessas condições —, possui o melhor desempenho entre os três estados, com 37,1% dos trechos classificados como Ótimo ou Bom.

Essas classificações de Geometria da Via, que englobam a presença e condição de curvas perigosas, acostamentos e faixas adicionais, são diretamente correlacionadas ao risco de sinistros, especialmente tombamentos e saídas do leito carroçável”, ressalta Almeida. Segundo ele, fatores geográficos e infraestruturais estão diretamente associados tanto à exposição ao risco quanto à gravidade dos acidentes envolvendo veículos pesados.

Levantamentos internos da PRF entre 2022 e 2025 mostram que, no Paraná, os principais grupos de fatores de risco relacionados à infraestrutura são “Tráfego”, “Interseções, acessos e retornos” e “Pista de rolamento”. Em Minas Gerais, os mesmos grupos lideram os registros de problemas, reforçando a semelhança dos desafios enfrentados pelos dois estados.

Minas Gerais, inclusive, concentra algumas das rodovias federais consideradas de maior risco do país. A BR-381 é historicamente a que registra a maior concentração de desastres com veículos de carga no estado, conforme dados de sinistralidade grave levantados pela PRF em 2025. No Paraná, o destaque negativo é a BR-376, principal corredor de exportação que liga o interior aos portos e concentra alta densidade de caminhões.

Já Santa Catarina se consolida como estado-chave para o escoamento de cargas do Sul do Brasil e do Mercosul, com rodovias que conectam centros urbanos e portos em um relevo predominantemente montanhoso, o que amplia o grau de complexidade e risco das operações de transporte.

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